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Estudo de Harvard aponta alto índice de mortalidade por cânceres associados à radiação em tripulantes

19 de agosto de 2026

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Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Harvard publicaram, na última segunda-feira (17), um amplo estudo na revista científica JAMA Internal Medicine revelando que comissários de bordo e pilotos lideram a proporção de mortes por cânceres associados à radiação entre mais de 500 profissões analisadas nos Estados Unidos. Este é o primeiro estudo a focar na taxa de mortalidade, e não apenas na incidência dessas doenças.

A investigação analisou quase 13 milhões de registros de óbito entre os anos de 2020 e 2024, cobrindo 503 categorias profissionais, entre elas cerca de 14 mil pilotos e 7 mil comissários de bordo. Os dados destacam:

  • Liderança no ranking: os cânceres associados à radiação responderam por 6,9% do total de mortes entre comissários de bordo e 6,7% entre pilotos, ocupando o 1º e o 2º lugar absoluto na pesquisa.
  • Aviação lidera: as taxas registradas na aviação superam as de profissionais em terra que lidam diretamente com fontes radioativas, como técnicos em medicina nuclear.
  • Tipos de câncer predominantemente: foram observadas taxas elevadas de óbitos por melanoma, câncer de mama, câncer de próstata e tumores do sistema nervoso central em ambas as categorias. Pilotos apresentaram, adicionalmente, índices elevados de mortalidade por leucemia.

A causa primária apontada no estudo é a radiação cósmica ionizante recebida em altitudes de cruzeiro, onde o escudo natural da atmosfera terrestre é significativamente reduzido. De maneira simplificada, a exposição na troposfera superior e na estratosfera inferior é muito superior aos níveis vivenciados em solo.

Estima-se que a tripulação acumule entre 3 e 6 milisieverts (mSv) por ano, dependendo das rotas e das horas de voo. Para efeito de comparação, um passageiro que realiza dez viagens de ida e volta cruzando os EUA em um ano acumula cerca de 0,4 mSv.

Como critério de comparação, a pesquisa também analisou dados de mecânicos de aviação. Como a dose de exposição registrada nesses profissionais foi substancialmente menor, os pesquisadores concluíram que o fator determinante não é a proximidade física com a aeronave em solo, mas sim a radiação cósmica recebida em voo.

No Brasil, a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) reconheceu, em abril de 2024, que os aeronautas são expostos à radiação cósmica. Em sua norma NN 3.01, a comissão estabelece o teto de 5 mSv por ano como nível de referência para a tripulação e determina a obrigação de as companhias aéreas mapearem e registrarem as doses estimadas de cada trabalhador por meio de softwares baseados em rotas e altitudes. 

Além da radiação ionizante, os aeronautas estão expostos a diversos outros agentes nocivos, como as microvibrações, o ruído contínuo, as variações de pressurização e a quebra do ciclo circadiano. Todos esses fatores impactam diretamente o bem-estar e a saúde dos tripulantes.

Aposentadoria Especial

A divulgação desta pesquisa e os resultados apresentados reforçam um dos principais objetivos do SNA: a reconquista da aposentadoria especial. Luta histórica de todos os aeronautas, a categoria busca a retomada deste direito, uma vez que enfrenta rotinas e condições de trabalho de alta exigência para manter a aviação do país em funcionamento.

Na última semana, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou a tramitação em regime de urgência do Projeto de Lei Complementar (PLP) 42/2023, que regulamenta a aposentadoria especial para diversas categorias, incluindo os aeronautas. O SNA agora irá concentrar esforços na articulação com a presidência da Câmara e com as lideranças partidárias para que o projeto seja incluído na Ordem do Dia para votação final.

Pesquisas do SNA

O SNA tem realizado ao longo do ano diversas pesquisas que auxiliam a entidade a traçar um panorama mais completo e fiel dos cenários enfrentados pelos aeronautas sobre saúde, fadiga, hotéis de pernoite, alimentação e burnout. No momento, a Pesquisa de Fadiga 2026 está em andamento e servirá de subsídio para as discussões com a Anac sobre a revisão do RBAC 117. Acesse em: www.aeronautas.org.br/pesquisa-de-fadiga-2026/

É a partir de todos esses dados e cenários que o SNA obtém fundamentação para reforçar demandas como a aposentadoria especial e as demais reivindicações da categoria. Por isso, o sindicato incentiva toda a categoria a participar das pesquisas promovidas.

Em caso de dúvida, entre em contato com o SNA. 

Canais de atendimento: aeronautas.org.br/?sna&atendimento-sna

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Via site: https://www.aeronautas.org.br/associe-se/

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