SNA analisa relatório do Cenipa sobre a Voepass e cobra foco da Anac na fiscalização das operações e discussões sobre fadiga
24 de julho de 2026
O SNA acompanhou as conclusões do relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), divulgado na quinta-feira (23), sobre o acidente com o voo 2283 da Voepass. A análise do caso demonstra que a tripulação atuou em um cenário de elevada complexidade, no qual convergiram condições meteorológicas adversas, degradação de sistemas da aeronave e problemas estruturais na cultura organizacional da companhia.
O relatório é muito claro ao evidenciar as falhas endêmicas na gestão operacional e de manutenção da Voepass, o que se reflete no histórico de autuações, relatórios de inconformidade e fiscalizações com medidas cautelares enfrentadas pela empresa nos últimos anos.
O relatório traz à tona também a necessidade de se tratar com rigor o impacto da fadiga humana na segurança operacional. A combinação de jornadas no limite regulamentar, múltiplas etapas diárias e elevada carga de trabalho pode comprometer a capacidade cognitiva e a velocidade de resposta dos tripulantes em situações críticas.
Diante desses fatores, o SNA entende que a atuação da Anac deve se concentrar no fortalecimento da fiscalização presencial das operações e da manutenção preventiva nas empresas. O sindicato considera inadequado que o órgão regulador dedique esforços técnicos com o objetivo de flexibilizar ou ampliar limites de jornada, como foi proposto pela agência no RBAC (Regulamento Brasileiro da Aviação Civil) 117 de 2019, que pode aumentar a jornada dos aeronautas para 14 horas, os limites mensais e anuais de horas de voo e a jornada noturna para 12 horas, em um momento em que a realidade das linhas de voo sinaliza a necessidade de maior controle e vigilância.
O SNA acompanhará o desdobramento das recomendações de segurança emitidas pelo Cenipa e continuará trabalhando para que as constatações do laudo se traduzam em aprimoramentos efetivos na regulação, garantindo a proteção dos aeronautas e dos passageiros do transporte aéreo, visando uma aviação mais segura.
O sindicato também repudia qualquer manifestação ou material que faça uma análise do acidente mirando exclusivamente na atuação dos pilotos. Além de simplificar o debate técnico, essa narrativa omite erros de segurança e grandes falhas em cadeia.
Por fim, o SNA manifesta sua solidariedade aos familiares das vítimas e reforça que os achados da investigação confirmam um princípio consagrado na aviação: acidentes aeronáuticos não decorrem de um fato isolado, mas da combinação de múltiplos fatores sistêmicos.
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